Quem trabalha com terraplenagem no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) enfrenta um material completamente distinto dos cortes em rocha alterada que aparecem nos condomínios da região da Base Aérea. No DAIA, o manto de solo residual de filito pode atingir 12 metros de espessura e esfarela sob vibração de equipamento pesado, enquanto na zona sul da cidade as encostas em quartzito mostram planos de xistosidade que controlam o mecanismo de ruptura. Em 2023, monitoramos três escorregamentos em taludes de corte na BR-060 que começaram exatamente na interface entre solo coluvionar e rocha branda — uma transição que a sondagem tradicional muitas vezes não detecta. Por isso, nossa análise de estabilidade de taludes parte de um mapeamento geológico-geotécnico detalhado, que correlaciona a mineralogia do substrato com os parâmetros de resistência obtidos em laboratório. A cidade, situada a cerca de 1.000 metros de altitude no Planalto Central, tem regime de chuvas concentradas entre outubro e março, com precipitações intensas que saturam rapidamente os solos porosos da região e disparam processos de erosão interna difíceis de prever sem uma instrumentação adequada.
Em Anápolis, a sucção matricial nos solos lateríticos pode contribuir com até 15 kPa de coesão aparente durante a estação seca — um valor que desaparece nas primeiras chuvas de outubro.
